Irresponsabilidade e precipitação

Nem mesmo o risco da terceira onda da Covid-19 no Brasil, provavelmente proveniente de uma cepa trazida de solo indiano, assusta parte da população brasileira. A situação da pandemia voltou a piorar em pelo menos oito Estados e, em muitos outros, incluindo São Paulo, a queda de casos tem estabilização, o que também é preocupante.

Tais estimativas reforçam a importância das recomendações de distanciamento social e podem indicar - pensando apenas no setor da Saúde - que o retorno às atividades econômicas e sociais aconteceu muito cedo. Ao primeiro sinal de arrefecimento, muitos prefeitos e governadores aliviaram as medidas restritivas tomadas anteriormente. Com mais gente nas ruas, o coronavírus também voltou a circular com maior intensidade. Mais gente infectada, por sua vez, é sinal de uma maior procura por pronto-socorros e postos de saúde, em um momento em que as taxas de ocupação de leitos continuam bem longe do ideal. E, finalmente, um aumento das internações pode aprofundar ainda mais a crise sanitária, aumentar os casos e mortes por Covid-19 e levar a um novo colapso do sistema de saúde. A situação piora com a chegada das temperaturas mais frias, que podem significar a permanência por mais tempo em locais fechados e próximos de outras pessoas.

Diante de um possível novo aumento, o ideal seria que o Brasil adotasse medidas mais rígidas, que envolvessem não apenas uma interrupção das atividades econômicas e sociais, mas também um amplo programa de testagem, isolamento de casos e rastreamento, controle das fronteiras e vigilância genômica de novas variantes. Mas, a falta de preocupação das pessoas pode ser medida pela população do Alto Tietê. Nas duas últimas semanas, em Mogi das Cruzes, a média de isolamento social ficou em apenas 41% - distante da recomendação superior a 50%. A medida é necessária para conter o avanço da doença, que já contaminou mais de 30 mil pessoas em Mogi e matou mais de 1,2 mil. Em todo o Alto Tietê, os dez municípios somam mais de 100 mil casos.

Os números refletem a falta de compromisso da população e a precipitação do poder público.