Corrida

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

Hoje há uma corrida entre os governadores e o presidente pela imunização. Quem diria que o presidente seria obrigado a se curvar aos fatos. Quando as imagens de várias partes do mundo revelam a imunização e a retomada da vida "normal", sem máscaras e distanciamento social, quem era contra passou a ser favorável. Os governadores disputam o anúncio da imunização de 100% da população adulta. O presidente agora quer acelerar a compra de vacinas e assim tentar protagonizar a saída da fase mais aguda da pandemia como um herói político.

É claro que a vacina não garante 100% de imunização, mas permitirá que as pessoas retomem suas atividades habituais, movimentando a economia, gerando empregos e renda. Ninguém ganha com o isolamento social, todos perdem. A marca indelével de mais de meio milhão de mortos, além de uma tragédia humana, terá um alto custo político, esse talvez a causa da preocupação real do presidente e governadores. Não se pode ignorar que os agentes políticos dependem da opinião pública e de seus votos, de olho nas eleições de 2022.

Nesse aspecto a corrida pelas vacinas, a antecipação dos calendários, o aumento do ritmo de vacinação e a pressão pela entrega de mais doses beneficiam a população. A esperança é que, com o novo normal, o desgaste pelas milhares de mortes, pela paralisia e falência de milhares de pequenos negócios, pelo aumento de milhares de desempregados, de alimentos e da pobreza generalizada fiquem para trás, a distância suficiente para que o eleitor não se lembre de nada. A difícil missão de vender a imagem positiva ao eleitorado será muito difícil para todos os gestores públicos.

Hoje vivemos em estado de emergência e a política não é prioridade, mas ano que vem ela será e então iremos mensurar qual o custo do desgaste de cada candidato. Enquanto isso, que venham mesmo as vacinas, que os calendários sejam cada vez mais antecipados, se é que é possível falar em antecipação do atraso. Dez por cento da população já está imunizada com duas doses e em breve, se Deus quiser, todos os adultos brasileiros estarão. Que passada a pandemia possamos punir os verdadeiros culpados pela tragédia que vivemos.