Mentira como regra

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Vivemos tempos difíceis. Enfrentamos a pandemia da Covid-19 desde o início de março de 2020, quando foi registrada a primeira transmissão interna.

No dia 9 daquele mês, o presidente Bolsonaro se manifestou pela primeira vez dizendo que "o poder destruidor" do vírus estaria sendo superdimensionado. Tal fala ocorreu em uma viagem aos Estados Unidos. No outro dia ele retomou o tema afirmando que "muito do que falam é fantasia, isso não é crise". Esse discurso até então "aceitável", visto que estávamos apenas no início daquilo que seria uma das maiores tragédias vividas no Brasil e no mundo, tornou-se uma marca desse governo.

No dia 11 de março de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia após registrar mais de 118 mil casos em 14 países, e 4.291 mortes.

No dia 27 de março de 2020, Bolsonaro afirmou que "para 90% da população, isso vai ser uma gripezinha ou nada" e em 12 de abril, quando o Brasil contabilizava 1.200 mortes, ele dizia que o vírus estaria indo embora. Já em novembro do mesmo ano o presidente nos qualificava como um "país de maricas" quando o número de mortes já estava em 163 mil.

Buscando desqualificar as vacinas, já que o presidente e boa parte dos membros do governo defendem desde o início o chamado "tratamento precoce" e a tese de "imunização de rebanho", em 18 de dezembro escutamos atônitos a maior autoridade do país dizer a vacina poderia fazer a pessoa virar um jacaré, nascer barba em mulher e homem falar fino. E o Brasil já contabilizava 185.000 mortes.

Quando observamos as falas dos principais nomes desse governo e os parlamentares que o apoiam, não é raro nos depararmos com um monte de mentiras. A divulgação de fakes news nas redes sociais é constante.

Os argumentos vão sendo refeitos ao gosto daqueles que não querem se render às evidências, para continuar a luta histérica para dar aparência de verdade às suas mentiras. Já atingimos a emblemática marca de 500 mil mortos. Parte delas poderiam ser evitadas se o caminho fosse a ciência e não a mentira.

Afonso Pola é sociólogo e professor.