Morosidade federal; celeridade municipal

A falha estratégia inicial do governo federal e as amarras com os governos estaduais estouram nas prefeituras, quando o assunto é a morosidade para a vacinação contra a Covid-19. Ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) seja de responsabilidade compartilhada entre União, Estados e municípios, o Programa Nacional de Imunizações estipula a responsabilidade de definir as campanhas de vacinação ao governo federal.

O Ministério da Saúde é responsável por fazer distribuições aos Estados, mesmo assim, alguns entes estaduais podem participar do processo - como é o caso do Instituto Butantan, financiado pelo Estado de São Paulo, que tem produzido a maior parte das vacinas aplicadas no Brasil. Bom que seja assim, pois o fato de o mandatário do país sequer utilizar máscara leva a crer que vacinar a população não está entre suas prioridades. Neste caso, o argumento de procrastinar os contratos para aquisição da vacina devido ao alto preço do medicamento não convence, partindo do princípio de que a vida das pessoas não têm preço.

Sabe-se que países que adotaram caráter emergencial com mais antecedência, sobretudo em relação aos imunizantes, já retornaram às atividades econômicas. Mas, não temos tempo para contemplar demais o passado. É preciso aprender rapidamente com os erros e acelerar a imunização. Isso não serve apenas para o poder público, mas também para a parte negacionista ou despreocupada da população que desrespeita as medidas sanitárias.

No final de semana passado, Mogi das Cruzes alcançou a marca de 29 mil pessoas imunizadas contra o coronavírus (Covid-19) em um único evento. A cidade chegou ao total de 136.707 pessoas com a primeira dose até o início da semana. Dentro desta somatória, 48.849 receberam a segunda dose. Em Suzano, não foi diferente, onde mais de 19 mil pessoas receberam, entre quinta e sexta-feira, a primeira dose da vacina.

Se a visível lentidão para imunização refletia nos números, gera insegurança e ansiedade; por outro lado, ações das administrações municipais, como as de Mogi e Suzano, merecem aplausos.