Língua

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

O presidente do Brasil protagonizou mais uma cena de descontrole da própria língua. Depois do Brasil atingir a dramática marca de mais de meio milhão de mortos e das manifestações da esquerda contra o governo em todo o país, ao ser indagado por uma repórter de uma emissora afiliada da Rede Globo sobre não chegar usando máscara, a língua do presidente se descontrolou, mais uma vez. Primeiro pediu, por favor, para que as pessoas que o acompanhavam calassem a boca. Depois, mandou a própria repórter que o entrevistava calar a boca e retirou a máscara que utilizava, dizendo que fazia o que queria.

O presidente já revelou que não consegue manter a estabilidade quando confrontado e não se intimida em descontrolar a língua e as palavras que ela produz. Muitos defendem sua conduta justificando que ele é autêntico, que é sincero, que fala o que pensa e que é melhor ser assim.

Nada justifica o destempero contínuo do presidente, lhe falta autocontrole da língua o que lhe causa um enorme prejuízo político. Primeiro porque estava se dirigindo a uma repórter mulher e só por isso lhe deveria conferir um tratamento respeitoso; segundo, porque é a mais alta autoridade executiva do país e tudo o que sai de sua boca interessa e pode causar impacto nos rumos administrativos do Brasil. Ele não é mais um deputado do baixo clero que fala apenas para o seu pequeno nicho, ele é o presidente da República. Não usou a língua para ler um pronunciamento oficial sobre a lamentável marca de meio milhão de brasileiros que perderam a vida, deixando de demonstrar ao menos de forma protocolar, empatia com a dor e o luto de meio milhão de famílias brasileiras.

Se não sabe domar a língua é melhor não usar, pois até o tolo quando fica calado parece sábio. E já que o presidente pretende nomear um ministro ao STF que seja terrivelmente evangélico, poderia lhe pedir a leitura da Bíblia e a explicação de Tiago 3:1-12 no novo testamento. E depois de ouvir, aplicar o texto em seu dia a dia e com isso evitar os incêndios que sua língua provoca. Um bom exemplo de que a língua cobra seu preço foi a saída, a pedido, do ministro Ricardo Sales.