Estado gigante, pra quê?

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Credita-se às razões do nosso atraso, do nosso desenvolvimento pífio, o apego ao Estado. A crença inabalável de que o Estado tudo pode: além de nos proteger, nos salvar, se possível, ao lado da desconfiança, do nosso pé atrás, em relação às atividades empresarial e produtiva. Quando se fala sobre isso parece até tratar-se de brincadeira de mau gosto, mas é verdade: o brasileiro trabalha mais de cinco meses por ano: (Sorria, se for capaz!) para pagar impostos.

Não estou, decididamente, entre os que acreditam no Estado mínimo, tampouco num país de dimensões continentais como o nosso, nem tenho fé cega nas virtudes do mercado. E como poderia, depois que as entranhas do grande empresariado foram expostas, nos assaltos furiosos que promoveram aos cofres da União, Estados e municípios?

Mas, mesmo as falcatruas ora reveladas, que nos enchem de horror e indignação, não teriam sido perpetradas sem a ajuda prestimosa de agentes públicos. Ou seja: roubos, propinas, obras superfaturadas, licitações viciadas, financiamentos a juros negativos, vieram de dentro do Estado.

Tudo que vem ocorrendo, nestes últimos anos, já bastaria para cogitar de reduzir o tamanho do Estado. E ainda há quem, e não são poucos, ataque outros governos, por causa de privatizações. Se com o que ainda sobra, a festa da bandalha não tem hora para terminar, imagine se ainda fossem estatais a Vale, a CSN, a Usiminas, a Embraer, as mais de 20 estatais de telecomunicações do antigo sistema Telebrás, os quase 20 bancos estaduais, e outras tantas empresas que foram privatizadas.

É desse gigantismo, incontrolável, que se valem as corporações do funcionalismo para inserir, em propostas de lei, medidas provisórias e até mesmo regras infralegais (normas sem aval do Congresso), vantagens e benefícios exclusivos, que lhes folgam a remuneração e a vida. Não saberia dizer qual dos dois causa o maior estrago nas contas públicas: se empresários que mamam nas tetas e promovem a pilhagem do Estado, ou se os trens da alegria, as cláusulas agregadas às leis, que fazem a festa do funcionalismo.