Miséria não

O aumento da pobreza no país, como consequência da pandemia da Covid-19, causa muita tristeza e preocupação, principalmente àqueles que se lembram que, em um passado não tão remoto - entre os anos de 1980 e 1990 - notícias de pessoas que morriam de fome eram comuns, principalmente nas regiões norte e nordeste do país. No início deste século, porém, esse péssimo indicativo caiu consideravelmente. Agora, é preciso tomar cuidado e não perder o controle, pois tornar o cenário da miséria cada vez mais parte do passado deve ser a prioridade de todos os governos.

A invasão de áreas proibidas para construção de moradias é um problema antigo no Alto Tietê e que vem se intensificando desde o ano passado. Tratam-se de pessoas que passam por grandes dificuldades financeiras e, sem um teto para viver, se veem sem opção e obrigadas a invadir terras que pertencem a empresas ou Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A necessidade dos cidadãos é tamanha que constroem suas moradias em locais perigosíssimos, como próximas à rede elétrica ou áreas com risco iminente de alagamento e desmoronamento. A defasagem por parte dos governos federal e estadual na demanda de programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida e CDHU, compõe este cenário.

Neste sentido, vale destacar o levantamento planialtimétrico iniciado pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, como sendo a primeira etapa da regularização fundiária em núcleos habitacionais nos bairros Jardim Aeroporto I e II e Jardim Santos Dumont II e III. Os pontos são críticos e merecem atenção e resolução urgente, para que as famílias que ali vivem há tanto tempo tenham mais dignidade. O processo vai beneficiar quase mil famílias e tem a parceria entre o município e o programa Cidade Legal, do governo estadual.

Mesmo com a pandemia, não é possível se conformar com o aumento da miséria. Tão importante quanto acelerar a vacinação contra o coronavírus no Brasil, é ter um planejamento bem definido para erradicar essa possibilidade.