Celebração

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

Durante 20 dias a perseguição de Lázaro Barbosa, acusado de cometer crimes bárbaros, dominou o noticiário brasileiro. A mobilização de centenas de agentes de segurança e todo seu aparato foi diariamente noticiado, especialmente pelos programas cuja tônica é atividade policial, com horas de transmissão de estradas empoeiradas e viaturas de polícia de um lado para o outro. Até que o procurado foi morto pela polícia. As imagens do socorro prestado ao foragido exibidas evidenciaram que nenhum socorro precisava ser prestado a um cadáver. Alvejado com ao menos 38 tiros, de acordo com apuração preliminar, o foragido foi morto em confronto com a polícia, segundo as forças de segurança.

O comentário do presidente da República em rede social: Lázaro: CPF cancelado! É evidente que ninguém apoia ou compactua com os bárbaros crimes cometidos pelo bandido, não há nenhuma aprovação social das atrocidades, mas a celebração de sua morte revela o coração de quem a comemora. Quem se diz cristão e assim deve seguir os ensinamentos de Cristo não deveria celebrar a morte de ninguém, mesmo que seja o pior e mais atroz criminoso.

Jesus quando crucificado entre dois criminosos condenados à morte, diante do arrependimento de um deles lhe assegurou que estaria com ele no paraíso. O profeta Ezequiel registrou que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Não se trata de celebrizar o crime nem o criminoso, mas de não celebrar a morte de qualquer pessoa, o que nos coloca em posição diametralmente oposta à de quem pratica o mal, seja ele qual for. O culto à morte, seja de quem for, revela a essência de quem a cultua. CPF cancelado é a versão atualizada do "bandido bom é bandido morto". Ninguém que rouba, mata, destrói e mente é bom, mas celebrar a morte de quem pratica o mal nos aproxima dele.

Diariamente, milhares de CPFs são cancelados no Brasil, uns pela prática criminosa, outros sendo vítimas delas, outros por doenças, acidentes, por causas naturais, além da tragédia de mais de meio milhão de vítimas da Covid-19. Banalizar ou celebrar a morte não nos torna melhores.