E a nossa economia?

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

No final de março, o relatório divulgado pelo Banco Mundial previu que a economia brasileira fecharia o ano entre as dez piores da América Latina e Caribe. Apesar da previsão de um crescimento superior aos 3% para esse ano, isso é insuficiente para cobrir a queda do PIB de 4,1% registrada no ano passado.

Na opinião de José Silvestre, diretor-adjunto do Departamento Intersindical e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o que motiva essa previsão pessimista é a péssima condução do governo Bolsonaro tanto na economia como na saúde.

A fragilidade da economia brasileira que nos acompanha já faz um bom tempo, encontra reforço na forma como o governo vem tratando, por exemplo, a questão orçamentária. A política de teto de gastos e austeridade fiscal não provoca bom efeito em um momento que precisaríamos de medidas para fazer frente aos problemas gerados pela crise sanitária.

A gestão Bolsonaro e Paulo Guedes gera travas que impedem a economia de deslanchar. São elas: baixo investimento, aumento do desemprego, auxílio emergencial muito aquém do necessário e ausência de estímulos fiscais para os pequenos negócios que são os que mais empregam.

Além da ausência de medidas econômicas que contribuam para a retomada do crescimento econômico mais intenso, outra questão também contribui para um cenário desanimador. Um dos pontos que o Banco Mundial leva em conta para projetar o desempenho das economias é o ritmo de vacinação nos países. No Brasil, o percentual de pessoas que já estão com imunização completa ainda está muito baixo, por conta da forma irresponsável que as vacinas foram tratadas pelo governo federal. Em 4 de julho tínhamos apenas 13,1% da população totalmente vacinados.

O percentual de imunização é fundamental para que as atividades econômicas voltem a um estado de normalidade. E, nesse aspecto, os outros países estão bem à frente.

Saúde e economia não apresentam interesses antagônicos. Ao contrário, essas duas coisas andam juntas e é isso que o Banco Mundial está falando. E isso é fato, os dados revelam isso.