Coragem, beleza, magia: é a vida!

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Estamos sempre com pressa, correndo aqui e acolá, em tentativas desesperadas de encontrar um lugar para nos encaixar, de sermos mais amados, de prolongar os instantes de eternidade que escoam pelas nossas mãos.

A partir daí sempre me pego pensando sobre o sentido da vida. Pergunto-me se cumprimos um destino ou se fazemos o nosso próprio destino, se há um sentido maior para tudo que se faz ou se estamos apenas flutuando na brisa. Vida que sempre será dual: esquenta/esfria, aperta/afrouxa, sossega/inquieta. O que ela quer da gente é coragem. Com isso, adentro o campo que faz de mim cantor: Penso nisso!

A complexidade da vida não permite que se consiga defini-la em um único sentido, já que somos precários e finitos, de tal modo que nunca se conseguirá ter a totalidade do que a define. Assim como nunca estivemos do outro lado para saber o que de fato nos espera. Dessa maneira, a única certeza que possuímos é que estamos vivos e que, enquanto estamos vivos, devemos impor à vida, que por ora possuímos, a grandeza que ela necessita.

Se devemos ter uma vida grandiosa, consequentemente, algo, a meu ver, pode-se concluir: a vida jamais será causa perdida. Por mais que na maior parte do tempo se encontre um mundo duro e seco, que vai aos poucos minando nosso interesse e, sobretudo, a nossa capacidade de sentir; a vida está plena de belezas, de magia. O grande problema é que se está sempre ocupado demais para perceber as alegrias que a vida nos proporciona.

Assim, nossas vidas burocráticas e automatizadas retiram a sensibilidade e a poesia que possibilitam o olhar lúdico sobre as coisas e que nos permite reparar nos pequenos prazeres da vida, os quais disfarçam a verdadeira beleza e felicidade que esta possui. Por que uma criança fica encantada com a chuva, com uma flor ou com um pássaro? Se diverte fazendo desenhos ou comendo um biscoito? Porque em tudo isso há beleza. Já que ela encara o mundo de forma poética.