Inflação

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

Os números oficiais não refletem a sensação de aumento de preços nas prateleiras dos supermercados. Os básicos e de consumo constante chamam mais atenção, mas o aumento é generalizado e um dos motivos é o aumento dos combustíveis: gasolina a R$ 5,50, etanol a R$ 4 e diesel a R$ 4,50 além do gás de cozinha a R$ 100. Como o Brasil depende, quase que exclusivamente, do transporte rodoviário o aumento do diesel gera um impacto generalizado nos preços de tudo que é transportado por caminhões e vans, é o custo do frete que deve subir para compensar ou aumento descontrolado dos combustíveis.

O efeito cascata de repasse de custos atinge toda a sociedade. Motoristas de aplicativos assistem ao achatamento de seus ganhos, seja pelo excesso de concorrência, fomentado pelos quinze milhões de desempregados, seja pelo aumento semanal do etanol e da gasolina.

Com preços tabelados pelos aplicativos, os motoristas trabalham mais para tentar compensar o aumento do combustível. O aumento do gás também gera impacto em pequenos restaurantes e reduz o poder de compra das pessoas mais pobres, considerando um pai ou mãe de família que receba um salário mínimo por mês, seja do emprego ou da aposentadoria, 10% fica comprometido só com o gás.

A impopularidade do governo federal não é ideológica é econômica. Sem emprego e com inflação real do dia a dia, consumindo o poder de compra, principalmente dos mais pobres, cria-se o ambiente ideal para saudade de tempos mais prósperos com outros velhos políticos. Reforma trabalhista não gerou empregos, reforma da previdência dificultou a aposentadoria e excluiu inúmeros benefícios e agora a proposta de reforma tributária pretende aumentar impostos. Enquanto isso assistimos cenas impactantes como a fila do "ossinho" onde pessoas carentes se enfileiram para receber uma sacolinha com doação de pequenos ossos com sobras de carne doados por um açougue. Nossa realidade é muito pior do que imaginamos, brasileiros voltaram a passar fome e isso não é só por causa da pandemia é má gestão pública e falta de compromisso com os mais vulneráveis. Essa multidão de excluídos dará sua resposta nas urnas, se sobreviver.