Respeito aos mortos

Sejam mil ou apenas uma, a morte de uma pessoa não pode ser comemorada jamais. Isso é o que nos difere de uma sociedade civilizada para um grupo de bárbaros, em que, por muitas vezes, aparecer com os despojos de um inimigo é comemorado. Isso ficou para trás, inimigos são vencidos nos tribunais, e cabe apenas aos que preferem atuar à margem da lei, celebrar o falecimento de alguém.

Entretanto, o óbito pode ser observado por outro prisma, como um indicador de algo que possui algumas variáveis e, como não poderia deixar de ser, o coronavírus (Covid-19) nos mostrou que a média de mortes de um período pode significar que a situação está piorando ou deixando de ser tão grave.

Semana passada, mais precisamente na quinta-feira, tivemos um dado relevante no Alto Tietê: uma morte foi registrada em decorrência do coronavírus; novamente, isso não deve ser celebrado, mas apenas quando esses falecimentos cessarem é que poderá haver alguma comemoração, sem esquecer aqueles que já partiram. Entretanto, o único número, isolado, pode nos dar um indício de que, de fato, a pandemia perde força. Para se ter uma ideia, esse número foi registrado, da última vez, em novembro do ano passado, antes da segunda onda atingir a região e o restante do país. Vale destacar, no entanto, que naquela ocasião as vacinas ainda estavam em estudo e o que se propagava era a ineficácia da cloroquina e de outras drogas, que podem ser úteis em relação a outras doenças, mas não possuem eficiência comprovada contra a Covid-19.

O que de fato deve ser comemorado é a ampliação da vacinação. Suzano e Poá, por exemplo, estão vacinando o público no limiar da adolescência, o que significa que muito em breve todos os adultos estarão vacinados com a primeira dose. Feitos dignos de celebração, e que estão sendo seguidos por outras prefeituras do Alto Tietê. É esse o ponto que deve ser reforçado, insistir na vacinação, e aí poderemos comemorar, se pelo menos não o fim das mortes, algo quase impossível de ocorrer, mas, ao menos, a queda dos casos graves da doença.