Nosso planeta redondo

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Em tempos de ativismos negacionistas, quando muitos defendem a tese de que a Terra é plana, um pouco de ciência não faz mal a ninguém. E o que é melhor, talvez sirva para que alguns recobrem o juízo.

O negacionismo que nos rodeia não questiona apenas o formato da Terra. Tudo bem que muitos negacionistas ficam confusos por terem de gostar de um astronauta que ocupa uma Pasta no atual governo e que já deu testemunho da esfericidade da Terra.

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que é uma organização formada por 195 governos, está divulgando um novo relatório que é resultado de análises de 14 mil estudos científicos com revisões pelos pares. Esse relatório do IPCC da ONU, que é o mais importante divulgado desde 2014, mostra de forma clara que o aquecimento global está se desenvolvendo mais rápido do que o esperado.

Os cientistas avaliam que a onda de calor que castigou o Canadá em julho, com temperatura de 49° e que provocou a morte de mais de 100 pessoas, teria sido "quase impossível" sem a influência das mudanças climáticas.

Na medida em que o conhecimento avança, temos mais condições de avaliar os danos provocados pelas atividades humanas em nosso habitat. A paleoclimatologia, ciência que cuida do estudo e reconstrução dos climas do passado, demonstra que faz aproximadamente 125 mil anos que nosso planeta teve a atmosfera tão quente como agora e o nível do mar era de 5 a 10 metros maior.

Não cuidamos do nosso planeta com a devida responsabilidade. Via de regra os interesses econômicos se sobrepõem aos interesses coletivos. Os exemplos vividos em nosso país nos últimos anos são prova disso. A política de "passar a boiada" produz consequências para nós e para o resto do mundo. A promoção do desmatamento com o uso de queimadas ou equipamentos não é combatida.

Aqui, só nos anos de 2019 e 2020 foram liberadas 976 substâncias para a agricultura, proibidas na maioria dos países, principalmente no mundo desenvolvido.

Agimos como se não houvesse futuras gerações.