Os desgostos de agosto

Mauro Jordão
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O mundo ainda não acabou porque toda a profecia humana anunciada nunca irá se cumprir, quem já decidiu quando será o fim é Deus, e nós nada sabemos além do que o Apocalipse e outros livros proféticos do Velho Testamento nos contam. A maioria nem quer acreditar que haverá um fim, por medo ou mesmo por incredulidade. A crença popular diz que tudo que é criado tem começo, meio e fim, nos parece que estamos mais abraçados com o fim do que cortejando o meio. Haja vista a decadência moral que estamos vivendo, como aconteceu nos tempos de Noé: "A terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência" Gênesis 6: 11.

A última vez que o mundo ficou de acabar foi uma predição pré-colombiana, em 2012. Será que o fim acontecerá em agosto? Apelidado de "mês do desgosto", como também "mês do cachorro louco", época em que eles são vacinados contra a raiva. O fenômeno das "chuvas de meteoros" ocorre em virtude da maior quantidade deles nesse mês.

Tendo como base dados publicados em artigo pelo jornalista Sergio Augusto, o oitavo mês do ano surgiu pela inveja do imperador Augusto. Não satisfeito com a homenagem nominal à Júlio César de dar o nome de Julho ao sétimo mês do calendário, quis também mudar de sextilis, por ser o sexto mês conforme o calendário romano antigo que começava em março, para agosto (Augusto) no atual calendário gregoriano. Talvez a má fama do mês deve-se ao suicídio de Cleópatra por ter ocorrido em agosto de 30 a.C.

O poeta T. S. Eliot achava abril o pior mês do ano, mas perde longe para o desastroso mês de agosto. Ao longo da história faz tempo que os infortúnios de agosto alimentam crendices e superstições em torno dele, como as do número 13 que dá azar, pior quando ele cai em agosto numa sexta feira. Para arrematar, temos em agosto: o suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954; a destruição de Pompeia pelo Vesúvio em 79 d.C.; o massacre dos huguenotes, em 1572, na Noite de São Bartolomeu em Paris; e a Casa Branca incendiada pelos ingleses em 1814.