Colheita

Cedric Darwin
Cedric Darwin - FOTO: divulgação

Estamos colhendo e vivendo a escolha eleitoral que fizemos em 2018. Gasolina que já ultrapassa os R$ 7 por litro, a moeda americana valorizada, inflação, desemprego em alta, recessão econômica, crise fiscal, política, instabilidade e ausência de reformas com impactos reais no dia a dia.

Há quem esteja satisfeito e defenda o atual estado das coisas, mas o mais vulnerável não deve estar satisfeito. São os mais pobres que mais sentem o impacto do atual estado do Brasil, os índices de pobreza já atingem 30% da população. Pobre, na verdade é o miserável que vive com até R$ 450 por mês. O que é considerado pobre no Brasil, na verdade é um miserável que sobrevive com menos de US$ 100 por mês.

Não é preciso ser nenhum gênio para entender que com R$ 450 não há consumo e sim, sobrevivência. Em uma pequena casa servida por água, energia e um botijão de gás esse valor não cobre a despesa mensal. Os alimentos da cesta básica, essencialmente carboidratos como arroz e feijão estão inacessíveis, assim como a carne e não só bovina, mas qualquer tipo de carne. Além da tragédia sanitária da qual estamos lentamente saindo, o Brasil real, da pobreza extrema, continua na tragédia social.

O governo fracassou em sua única missão: gerar bem estar social. E a culpa não é da pandemia, que apenas tornou mais explícita nossa realidade. Fica a lição, para que nas próximas eleições nossas escolhas tem um preço alto, não dá para escolher na emoção, tem que ter razão. Como não é possível prever o futuro devemos atentar ao passado de cada candidato em 2022. No próximo dia 7 de setembro temos pouco a comemorar, senão a própria vida, uma dádiva de Deus. Sair as ruas para apoiar quem nos mantém na atual situação e afundando é sinal de que não entendemos a função de um governo. O Brasil precisa entender que governantes são servidores e não divindades. Embora todas as autoridades devam ser respeitadas isso não impõe idolatra-las.

Devemos avalia-las e no momento oportuno que são as eleições, aprova-las ou reprova-las. Tudo que excede isso é fanatismo, idolatria, cegueira e cobra um preço alto, a nossa condição de vida.

Cedric Darwin é mestre em Direito e advogado