Olho clínico

Mauro Jordão
Mauro Jordão - FOTO: 00001

A inteligência artificial (IA) artificial avança célere, sem cerimônia e invade territórios sagrados. A Medicina não escapa. A Big Data na saúde encheu os computadores com grande volume de informações de artigos científicos modelando diagnósticos do mundo real.

Por haver observado o comportamento real dos médicos esse personagem virtual chamado Google anda de braços dados com os profissionais da saúde. Hoje, já temos no consultório dupla ocupação: o médico de carne e osso, e outro, virtual, o computador. Claudio de Moura Castro, M.A. PHD. Pesquisador em Educação compara o médico da atualidade com os investigadores fictícios do romance policial, lançado em fevereiro de 1887, Sherlock Holmes e seu auxiliar inseparável, Dr. Watson.

Nos tempos atuais Thomas Watson foi presidente da IBM e transformou a empresa de mecanografia no gigante da informática. Por mérito, seu nome foi dado ao programa de IA da empresa. Então, vamos chamar o computador de Watson, e chamemos de Sherlock o médico vivo que está na mesma sala de consulta. Os dois, virtual e real, têm de dialogar e entender-se bem. Na prática, Sherlock não se deve meter onde são mais frágeis as suas qualificações, porém agir com sabedoria nos espaços em que o Dr. Watson é ignorante.

O médico do futuro terá de conhecer bem a lógica e os algoritmos do Dr. Watson, senão sua obsolescência acontecerá em tempo recorde. Watson tem a memória ilimitada da IA e tem arquivado tudo o que se publica nas revistas médicas e os protocolos de tratamento dos livros usados nos cursos de Medicina. Em conhecimento não dá para competir com o "Dr. Watson".

Felizmente, o mercado de trabalho do médico não está perigando, o "Dr. Sherlock" em atuação tem ampla superioridade, pois é ele que decide, em seu julgamento, quando delega o diagnóstico para o "Dr. Watson" e quando irá agir pela sua cabeça. Watson é limitado quando algo que não foi sistematizado, definido e escrito foge do seu alcance. Esse algo Sherlock tem, o chamado "olho clínico".

Mauro Jordão é médico