Fuzil no prato

Durante a semana passada o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), defendeu que os cidadãos tenham o direito de comprar um fuzil para se defender, mas, disse ele, "sempre tem os idiotas que falam que é preciso comprar feijão", pois é, os idiotas têm razão. Com a pandemia de coronavírus, a população precisa de comida no prato, e não é um fuzil que vai encher a barriga e ninguém.

No Alto Tietê, ainda bem, a preocupação maior é com a alimentação. Prefeituras, organizações não-governamentais (ONGs), empresas e pessoas físicas estão sempre doando e recebendo cestas básicas para distribuir entre os mais necessitados da região. Existe uma insegurança alimentar que poucas vezes se viu, e isso é fruto, em boa parte, da pandemia, mas também tem um ajuda vinda de Brasília, onde há um ministro que não vê problema na conta de luz ficar um pouco mais cara.

Todos sabem qual a real necessidade da população e certamente armar os habitantes não é a melhor das ideias. Dois pontos precisam ser analisados: o primeiro é que, ao defender o armamento ao invés da alimentação, a Presidência da República transfere para o cidadão a segurança pública, já que a União não tem capacidade da fazê-la, é preferível repassar isso para a população. A segunda questão é que Brasília faz pouco caso da alimentação quando o próprio presidente, que deveria defender que o brasileiro tenha alimento no prato, diz que os idiotas defendam a compra de feijão.

É realmente um momento excepcional este vivido pelo Brasil, que cada vez mais se mostra como um acidente de percurso. Antes de Bolsonaro, seis presidentes estiveram no comando da capital federal desde a reabertura política, de diferentes partidos e ideologias, mas nenhum deles defendeu o armamento em vez de comida.

É esperar que isso passe logo, e não estamos falando só da pandemia, mas que o país possa ter um governo que se preocupe com a população mais pobre. Na região isso segue firme, com acolhimento, distribuição de cestas básicas, além de programas feitos em parceria com entidades e com o governo do Estado. É preciso seguir esse caminho, não o das armas.