Sem conexão

Não são poucos os problemas que foram escancarados pela crise sanitária no nosso país. Na área da Educação, um deles é a falta de acesso à internet, o que aumentou ainda mais a desigualdade.

Segundo pesquisa do Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), 55% dos filhos de pais sem instrução educacional não tem acesso à internet, impossibilitando o aprendizado dos jovens no sistema remoto. Esse período, certamente, irá marcar o futuro de muitos jovens. A educação brasileira, já de péssima qualidade na forma presencial, ficou ainda pior para todas as classes. A falta da tecnologia para ter aulas durante o distanciamento social, ocasionado pela pandemia, ficou escancarada. Nas escolas públicas, os jovens têm pouco acesso à rede online. Ainda segundo a pesquisa, 18% dos estudantes acessam exclusivamente a internet pelo celular e, muitas vezes, esse celular é compartilhado entre os familiares.

O problema começa lá em cima, no governo federal, mas é preciso que as prefeituras cobrem melhores condições. Até porque, não é de hoje que a União promete internet de baixo custo a pessoas em situação vulnerável. Algumas áreas mais afastadas da região já foram contempladas pelo governo federal, mas ainda é preciso que mais famílias sejam contempladas. Proposto em 2018 e firmado por meio de um termo de adesão apresentado aos municípios do Alto Tietê, o projeto ainda caminha a passos lentos. Se for ampliado, o programa beneficiará milhares de pessoas da região, com conexão em banda larga a preços reduzidos.

Três anos já se passaram após o início das tratativas entre as prefeituras e o governo federal e parte da população continua enfrentando falta de conexão ou sofre com prestação inadequada de serviços de acesso à internet.

Embora alguns moradores já tenham sido contemplados, o termo foi assinado e muitos bairros foram selecionados. A Prefeitura de Mogi diz que cobra a efetividade do programa, mas, a verdade, é que não há expectativa em curto prazo para diminuir esse abismo que divide aqueles que têm e os que não têm internet.