Democracia: a essência humana!

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

O que diferencia o homem da maioria dos animais é a capacidade em resolver problemas, sem violência, viu Bolsonaro! A reflexão faz-nos ver que há milhões de pessoas no mundo com ideias diferentes e, portanto, não se pode atender só aqueles que estejam de acordo conosco. Os que pensam diferente de nós devem ser respeitados e incentivados. Sem a diversidade não há unidade, e tudo descamba para o tolitarismo.

Numa democracia representativa o governo é escolha do povo. Povo? A liberdade de expressão e o direito de escolha seria sua bandeira. Liberdade e direito devidamente costurados por deveres e vantagens. Mesmo havendo pessoas, principalmente em países que ainda não têm uma longa tradição democrática, como nós, procurando confundir a ideia de democracia com anseios de determinados grupos. Assim a democracia só funciona se espaço for dado a toda e qualquer iniciativa que leve em conta direitos e responsabilidades, numa base de troca harmônica. E com solene respeito a todos pontos de vista. Sem que cada opinião seja cobrada de forma totalitária. Sem a diversidade não há unidade, e tudo descamba para a ditadura.

Mas o que é um país de fato democrático? Aquele onde não deve existir qualquer tipo de poder superior ao da coletividade. E não apenas político. Assim, existem países com uma religião de Estado. E isso significa que esta é a única religião aceita pela autoridade ou pelo menos aquele que recebe mais ajuda do governo. E isso é a negação da democracia, porque em uma democracia não há religião superior. Todas as religiões têm os mesmos direitos. É por isso que a democracia é compatível só com um Estado secularista.

No Estado laico, a pessoa pode escolher a religião ou não escolher nada. Num Estado teocrático, as pessoas que tentam ter uma religião diferente da oficial são ameaçadas e às vezes punidas. Assim a democracia é quase a forma política da essência humana, no dar direitos e responsabilidades.

Raul Rodrigues é engenheiro e ex-professor universitário.