Olho clínico II

Mauro Jordão
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Claudio de Moura Castro, Pesquisador em Educação, compara o médico da atualidade aos investigadores Sherlock Holmes e seu auxiliar inseparável, Dr. Watson. Hoje, ocupando a mesma sala do consultório temos o médico de carne e osso, e o virtual, o computador.

Usando da imaginação foi dado o nome de Sherlock ao médico real e para o virtual, Watson. Sendo máquina, Dr. Watson não tem sentimento, revela de modo frio aquilo que está gravado. No entanto, o Dr. Sherlock é gente, e para definir seu espaço operacional precisa do pensamento, da percepção e da intuição.

Fruto da experiência cotidiana que acumulou, sabe que os pacientes são semelhantes, não iguais, em seus sintomas e sinais, e que o organismo e a mente de cada um deles, perante a mesma doença, podem ter variedade na resposta funcional e emocional quando em tratamento.

O diagnóstico pelo "olho clínico" não tem formulação explícita, não há como descrevê-lo com palavras ou números. Paira no meio do caminho, entre o paciente e a clareza da teoria. Dr. Sherlock pode duvidar também dos dados rígidos do Dr. Watson na questão dos exames e do diagnóstico. A dosagem saiu com a vírgula no lugar errado? O computador Dr. Watson não capta o engano. Mas o Dr. Sherlock, bom clínico investigador, fareja logo que algo não está certo. Lembro-me de um professor que dizia: "Se o exame do laboratório não bate com o diagnóstico clínico, jogue o exame no lixo".

O rápido desenvolvimento tecnológico e científico da medicina encheu o Dr. Watson de conhecimento, porém, afastou do corpo do paciente o toque de mãos do Dr. Sherlock em sua busca do diagnóstico. Alguém disse: "Quem toca a pele toca a alma". É verdade! O ser humano está vivendo uma onda de carência afetiva, o esfriamento do amor nos distância e causa a maioria dos transtornos mentais. Quando em consulta o cliente se sente mais confortável quando vê no médico, ao mesmo tempo, o conhecimento do Dr. Watson e o olho clínico do Dr. Sherlock cheio de apreço pelo que você revela em consulta.

Mauro Jordão é médico