Fé, razão e o nada

Há insegurança, medo e perplexidade ao acontecer mudanças rápidas no meio social e religioso em que vivemos. Na verdade, sentimos não estar preparados para suportar, ou enfrentar situações inesperadas e o nosso desejo é de continuar com o nosso cotidiano anterior. Porém, se as mudanças são graduais e bem lentas vamos, sem resistência, nos amoldando a elas de um modo imperceptível no tempo e no espaço.

Na "fé" não nos distanciamos quilômetros do absoluto de Deus, mas gradualmente em centímetros até aportarmos no relativo da "razão". Duas guerras mundiais seguidas no século 20 foram suficientes para sepultar a crença advinda do século 19, forjada em Hegel e Marx, segundo a qual caminhávamos para o progresso indefinido da humanidade. A verdade relativa do Iluminismo, com sua pretensão de substituir a verdade absoluta de Deus não tinha mais alicerce seguro na razão humana onde pudesse se firmar, mesmo com a afirmação do Prêmio Nobre de Literatura em 1957, Albert Camus, filósofo e romancista, que o mundo da razão irá substituir a crença em Deus.

Sendo relativa e não absoluta a verdade da razão deixou brecha para o escritor e filósofo Jean-Paul Sartre permear seu pensamento existencialista por todo período pós 2ª. Guerra Mundial: "Ele compreendeu que, vivendo não no absoluto, mas no transitório, deveria renunciar a ser e decidir fazer"; disse dele a companheira Simone de Beauvoir. Os seus discípulos fizeram isso mesmo, deixaram de ser para se massificar, despersonalizados não tinham nenhuma obrigação de fazer qualquer coisa em prol da sociedade, tornaram-se "nada".

O naufrágio da fé gradualmente está acontecendo nas igrejas cristãs do mundo que confiam mais no salva-vidas da razão humanista, que promete uma falsa salvação relativa, do que na tábua de salvação absoluta e verdadeira, Jesus Cristo, último e único recurso para quem não quer definitivamente se afogar nas ondas impetuosas e malignas, cheias de impiedade e de perversidade, desse final dos tempos. Cristo é tudo em mim.