Inflações

Afonso Pola
Afonso Pola - FOTO: Daniel Carvalho/Mogi News

Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços. Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação. Esses índices variam de acordo com o comportamento dos preços de produtos que fazem parte de uma cesta.

Essa cesta de produtos é definida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares ( POF), do IBGE e que tem como um dos objetivos, verificar o que a população consome e quanto do rendimento familiar é gasto em cada produto: arroz, feijão, passagem de ônibus, material escolar, médico, cinema, entre outros. No passado, o Brasil já enfrentou longos períodos com taxas elevadas de inflação. Inclusive, convivemos com a chamada hiperinflação, problema crônico que foi sanado, em grande medida, pelo Plano Real.

Desde 1999, o Brasil adota o regime de metas para a inflação. Por esse sistema, o Banco Central atua para que a inflação efetiva esteja em linha com uma meta pré-estabelecida. A meta para a inflação é anunciada publicamente e funciona como uma âncora para as expectativas dos agentes sobre a inflação futura.

Em nosso país, a meta para a inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para esse ano a meta definida é de 3,75%, com um intervalo de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo. Ou seja, entre 2,25% e 5,25%.

No entanto, os brasileiros já estão convivendo com uma inflação acumulada de 9,68% em 12 meses. E não é porque a economia esteja aquecida. Pelo contrário, a inflação está alta, os juros estão subindo e a previsão de crescimento do PIB diminuindo. É um cenário muito ruim para um país que tem elevado número de desempregados.

Para além dessa inflação clássica, surgiu em nossas vidas a tal da "inflação oculta". Determinadas marcas estão diminuindo o tamanho ou peso de seus produtos, mas mantendo os preços inalterados. Mesmo se o rótulo da embalagem informar o peso correto, o que anula a ilegalidade da prática, a manutenção do preço indica que estamos pagando o mesmo valor por menos produto. Esses são os famosos "cidadãos de bem".

Em muitos casos, nem sempre esse aviso é claro. É o que denunciam os órgãos de defesa do consumidor.

Afonso Pola é sociólogo e professor.