Antes e/ou depois?

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Bertrand Russel dizia que para se chegar a definir uma lei científica três etapas são necessárias. A primeira consiste em observar fatos significativos; a segunda, assentar hipóteses que, se forem verdadeiras, expliquem esses fatos e a terceira, deduzir desta, hipóteses que possam ser postas à prova para observação. Significa que o processo de sua formulação deve ser justificado e explicado, antes e depois, para desta forma construir e formular hipóteses que sejam contrastáveis.

Tão importante quanto a responsabilidade pelo erro (depois) é a responsabilidade pelo acerto (antes). Para garantir o acerto, antes ou depois, a pesquisa generalizada promove a ética e a empatia desde o surgimento de uma ideia até a sua efetiva execução. Essa ideia é boa para quem, onde e quando? Quais são seus riscos e impactos? De que recursos dispomos para contornar possíveis imprevistos? O que o passado nos ensina sobre isso? Nenhum projeto deveria avançar em uma iniciativa sem respostas sólidas a essas perguntas. Viu gestão política, despojada de planificação, deste sofrido país! É bom lembrar que acertar não é apenas seguir qualquer norma, manual de conduta ou protocolos internacionais, mas ter a dimensão humana como bússola, guiando todas as etapas do processo criativo. Parece romântico? Não, se imaginarmos o prejuízo, social, ambiental, financeiro e de imagem, em caso de desvios.

Outro questionamento estratégico: enquanto pai, avô, cidadão e consumidor, como me sinto sobre determinada ideia? Como alguém que é diferente de mim, outro gênero, cor, renda, idade, escolaridade, se sentiria em relação a essa ideia?

Colocando a nós mesmos e o outro no centro da narrativa, o certo e o errado adquirem substância e interioridade. Quando se reflete pela ótica da pessoa física em seus diferentes papéis e se leva em conta a diversidade, constroem-se soluções mais abrangentes e coerentes. O exercício da ética e da empatia não é fácil. No entanto, é obrigatório para a política e para cada um de nós, que se busque ser integralmente responsável pelo trabalho que se realiza.

Raul Rodrigues é engenheiro e ex-professor universitário