Luta contra pedágio continua

Será preciso canalizar muita força e criar muitas iniciativas para evitar a construção do pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88). A cada manifesto, movimento e reclamação de autoridades ou sociedade civil ligadas a Mogi das Cruzes, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) rebate com tranquilidade, insistindo que as obras que serão realizadas em área urbana do município como contrapartida à instalação do pedágio trará benefícios para a cidade e demais do Alto Tietê.

As obras incluem duplicações, pavimentações, construção de faixas, implantação de viadutos, passarelas, adequação de pontos de ônibus, novos pontos de iluminação pública, entre outras. Mas, Mogi não quer essas obras como troca do pedágio. Pelo contrário, muito se discute sobre o isolamento que a cobrança aos veículos causará na cidade e como essas intervenções em áreas urbanas transformará Mogi em um ponto de passagem.

Os argumentos usados pela Artesp são os mesmos desde quando se aventou a possibilidade da construção da praça de pedágio na Mogi-Dutra. A Agência de Transportes do Estado relembra que a decisão, em audiências públicas, contou com ampla participação de vários entes da sociedade, incluindo lideranças políticas e a própria comunidade. Na verdade, a Artesp reuniu as contribuições que lhe interessou, mas impôs o pedágio. Por fim, insiste, há quase dois anos, que o diálogo seguirá sendo elemento fundamental para a implantação do projeto, que, segundo ela, levará desenvolvimento e oportunidades para a região.

Se a opinião dos mogianos fosse tão importante, bastaria aceitar o "não, obrigado" da população, entendendo todos os argumentos contrários para o andamento do projeto. Como isso não vai ocorrer, é hora de mostrar força. O deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) quer agendar uma reunião diretamente com o governador João Doria (PSDB), o mais rápido possível, para tentar desarticular o movimento da Artesp. Já o movimento Pedágio Não, após realizar carreata no domingo passado, também quer se encontrar com o governador. Dificilmente um "não" é tão afirmativo quanto neste caso.