Artigo

Mil dias

Afonso Pola
28/09/2021 às 05:30
Atualizada em 28/09/2021 às 05:30.
Daniel Carvalho/Mogi News

Daniel Carvalho/Mogi News

Bolsonaro completou mil dias na Presidência do nosso país. Nesse período, seu governo enfrentou cem crises, produzindo uma média de três por mês, conforme levantamento feito pelo jornal O Globo. Mais da metade desses mil dias coincidiram com a pandemia do coronavírus.

O Brasil é uma república presidencialista, onde o presidente é eleito pelo voto direto. Ele é, ao mesmo tempo, chefe de governo e chefe de Estado. Como chefe de governo, o presidente é responsável por inúmeras ações, como gerir a administração federal, criar políticas públicas e programas governamentais, sugerir leis, dentre outras atividades. Já na condição de chefe de Estado, ele 1[é o representante máximo do país perante o mundo.

Em qualquer situação, o desempenho do governo é fundamental para melhorar as condições de vida do povo. Mas é justamente em um momento de crise profunda como o que vivemos hoje, que as ações de um governo são ainda mais importantes.

Infelizmente, a forma como esse governo tem conduzido o país no contexto da pandemia, tem se mostrado desastrosa. No campo da Saúde, além da postura claramente negacionista em relação aos riscos produzidos pelo contaminação com o coronavírus, o incentivo para que as pessoas não seguissem as orientações e determinações dos especialistas, a insistente defesa do uso de medicamentos sem eficácia e a falta de empenho na aquisição de vacinas deram o tom da atuação do governo.

No campo da economia não foi diferente. Com um desemprego recorde, aumento intenso da informalidade, queda da renda dos trabalhadores e inflação em alta, não vimos medidas econômicas consistentes para o enfrentamento dessa desoladora conjuntura.

O presidente que já havia sugerido que as pessoas fizessem cocô dia sim, dia não como forma de combater a poluição, agora, diante de uma grave crise energética considerada a maior dos últimos 91 anos, o máximo que ele consegue propor é que a população "apague uma luz em casa, evite elevadores e tome banhos frios".

Esse é o mesmo presidente que declarou recentemente que a Covid só encurtou vidas de vítimas em algumas semanas. O Brasil não merecia isso.

Afonso Pola é sociólogo e professor

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