Doação de alimentos

O boom de doações de alimentos no momento em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) oficializou a pandemia do novocoronavírus, em março do ano passado, não durou muito e, dois meses depois, o volume arrecadado já começou a desacelerar. As dificuldades que atingiram a maioria da população foram um dos principais motivos para a queda nas doações.

Neste ano, o volume de doações não acompanha o avanço da doença, tampouco os efeitos econômicos. A situação lógica: ou a doença é controlada rapidamente ou os problemas sociais e de miséria, incluindo a fome, irão aumentar. O benefício pago pelo governo federal é cada vez menor e comtempla, cada vez mais, menos pessoas.

A filantropia no Brasil não é cultural, o que piora a situação de famílias em situação vulnerável no atual cenário. Segundo um levantamento feito recentemente pela Fundação de Ajuda para Caridades, comparando as doações feitas em 126 países, o Brasil ficou em 74° lugar.

O primeiro lugar geral do ranking é ocupado pelos EUA, seguido de Myanmar e Nova Zelândia. A China é o país com a pior colocação. Na contramão, não é de hoje que a população em situação de rua vem crescendo no país. Circulando pelas ruas das cidades do Alto Tietê é possível perceber. Na pandemia, a situação piorou e as filas nos restaurantes populares Bom Prato, do governo do Estado, vêm aumentando. Em Mogi das Cruzes, a força-tarefa do projeto Mogi Contra Fome oferece alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os kits entregues são fruto de doações recebidas, em especial de supermercados da cidade.

A situação também não é fácil. Para que as entregas possam ter continuidade, a Prefeitura solicita um reforço nas doações. Outras ações nas cidades são realizadas, como o Drive-Thru Solidário, que funciona de forma associada aos pontos de vacinação. Mas, tudo isso depende das doações, por isso, é válido refletir bem sobre a situação de muitas pessoas neste momento de pandemia.

O Brasil já viveu, em um passado recente, momentos piores em relação à fome. Não podemos conviver novamente com pessoas brigando por comida.