Batalha persistente

Mesmo sem motivos para comemorar com muito entusiasmo, a negativa da Justiça para o projeto de implantação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88), formulado pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), já trouxe uma sensação de que Mogi das Cruzes está viva na batalha. Este primeiro sinal positivo, em mais de dois anos, ocorreu em junho, e deu ânimo à sociedade civil e moral aos políticos locais envolvidos nessa luta.

E não foi por negar o desenvolvimento do Alto Tietê que Mogi e demais cidades da região entraram neste confronto com a Artesp, mas, sim, pelo fato de a rodovia estar pronta, o que derruba a necessidade de instalação do pedágio. Essa apunhalada em Mogi e região está sendo arquitetada há anos, talvez até há mais de uma década, quando a Mogi-Dutra começou a ser duplicada no trecho de Mogi das Cruzes e, anos depois, no de Arujá, entregue recentemente. O governo estadual deixou a rodovia no jeito para receber a praça de cobrança, mas isso não passava no imaginário da imprensa e políticos naquela época, até porque a Mogi-Dutra não se enquadra no perfil padrão para o recebimento de uma praça de cobranças.

Se Mogi desconfiasse disso, teria pensado duas vezes antes de pleitear a duplicação da rodovia, embora a segurança dos usuários tenha sido o foco ao pedir o alargamento das pistas. Ainda por cima, a Artesp oferece uma contrapartida que Mogi não quer, ou seja, intervir drasticamente em vias perimetrais sem autorização da Câmara Municipal e Prefeitura de Mogi. O edital impõe à empresa vencedora da licitação a construção de sete viadutos e três rotatórias nas vias municipais. Assim, o projeto fere a autonomia municipal.

Muita água ainda vai rolar antes do desfecho definitivo. Para muitos, a batalha já está perdida. Mas, esse é um dos casos em que se faz necessário embarcar, acreditar e cobrar os políticos que prometem ir até a última consequência para impedir o pedágio na rodovia.