Colher? Só plantando!

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Hoje, neste exato momento que é todo nosso, o futuro está sendo plantado. As escolhas que se procura, os valores que se abraça, os amores que se ama, o trabalho com o qual se envolve, os amigos que se cultiva, as leituras que se faz, tudo será determinante de futura colheita. A pior ambição do homem é desejar colher pela vida inteira os frutos daquilo que nunca plantou!

Somos educados para acreditar. E esperança, minha gente, é o que anda conosco! Acredito que a bondade tem voz e acredito, também, num hoje melhor que o ontem e que o amanhã. Acredito na beleza e no encanto de um sorriso, no encanto e na energia das palavras. Acredito num Deus que tudo vê e que tudo ampara, da maneira correta e no tempo exato.

Créditos aos dias azuis, cheios de paz abrangente, com crianças correndo no parque, casais de mãos dadas à luz do sol, de uma clara e transparente manhã. Acredito na força dos sentimentos bons, na energia positiva e na colheita dos sonhos, que chega sempre pelas mãos de quem semeia o bem.

Créditos na bondade sem disfarce, nos rostos sem máscaras e pela via do carinho e da amizade, doses de paciência que removem montanhas. Creio na palavra que cura, nas canções que embalam sonhos, nos risos gratuitos, na bussola do lado esquerdo que sempre indica o caminho.

Plantei um pé de amor, para colher sorrisos. De nada adiantou. O vento, de tempo em tempo, esfacelou as flores, os frutos e os galhos. Só que tem uma coisa: O meu amor continua de pé, com uma bandeira hasteada no meio. É proibido não ter esperanças porque é do tempo que pode tudo para aquele que crê.

Insisto em repetir: todo país é feito pela educação! Quem planta arma, colhe corpo no chão. Temos que acreditar nas favelas, nos cortiços, chega de morrer por migalhas, de mofar em presídios! O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Precisamos plantar mais e colher menos! Não julgue cada dia pela colheita que se obtém, mas pelas sementes plantadas. Lembrando que a ambição universal do homem médio é colher o que nunca plantou!

Raul Rodrigues é engenheiro e ex-professor universitário