Plano para moradias

O aumento da pobreza no país causa preocupação e faz os mais vividos se lembrarem de um passado não tão remoto, quando notícias de pessoas que morriam de fome eram comuns, principalmente nas regiões norte e nordeste do país. No início deste século, porém, esse péssimo indicativo caiu consideravelmente. Agora, é preciso ações efetivas e planejadas para não perder o controle, pois tornar o cenário da miséria cada vez mais parte do passado deve ser a evidente prioridade da União, estados e municípios.

A invasão de áreas proibidas para construção de moradias é um problema antigo no Alto Tietê e que vem se intensificando a cada ano. Em Mogi, mais de 70 famílias que estão morando em uma ocupação irregular na Vila São Francisco precisam se manifestar sobre sua permanência no local. Tratam-se de pessoas que passam por grandes dificuldades financeiras e, sem um teto, acabam invadindo terras que pertencem a empresas ou Áreas de Proteção Ambiental (APAs). A necessidade dos cidadãos é tamanha que constroem suas moradias em locais perigosíssimos, como próximas à rede elétrica ou áreas com risco iminente de alagamento e desmoronamento.

A defasagem por parte dos governos federal e estadual na demanda de programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida e CDHU, compõe este cenário. Neste sentido, vale destacar o levantamento planialtimétrico iniciado pela Prefeitura de Mogi das Cruzes, como sendo a primeira etapa da regularização fundiária em núcleos habitacionais nos bairros Jardim Aeroporto I e II e Jardim Santos Dumont II e III. Os pontos são críticos e merecem atenção e resolução urgente, para que as famílias que ali vivem há tanto tempo tenham mais dignidade. O processo beneficia quase mil famílias e tem a parceria entre o município e o programa Cidade Legal, do governo estadual. Mesmo com a pandemia, não é possível se conformar com o aumento da miséria.