Difícil para todo mundo

A semana fecha com uma nova apreensão nas famílias do Alto Tietê e, em certa medida, em todo o país, com a tentativa das empresas em impor um vertiginoso aumento na tarifa do transporte público. Sob o argumento de uma "crise", mais um setor descobre-se tardiamente com os dois pés deste Brasil pós-2019.

Nem mesmo os militantes mais ufanistas e otimistas com a situação do Brasil conseguem olhar para fora de suas janelas e terem a mesma esperança que expeliam há três anos. Com uma inflação chegando aos dois dígitos em 12 meses, o aumento salarial quase congelado, milhões de desempregados e o endividamento em massa que engessa o crédito de grande parte da população, era apenas uma questão de tempo que a pobreza colateral subisse a pirâmide social em direção às classes mais ricas, ajudando a perpetuar o ciclo de inflação e estagnação que vivemos há anos.

Há de se levar em consideração os esforços dos prefeitos do Alto Tietê, que estão, neste instante, buscando soluções para tentar reduzir o impacto da falta de comando federal na economia e na pandemia, que agiu aparvalhada como um goleiro inexperiente que não sabe se salta à bola ou não. Os esforços pelo fomento ao emprego, programas assistenciais como o Auxílio Emergencial Mogiano e o Auxílio Empresarial, o atendimento às famílias vulneráveis e o empenho dos profissionais da saúde no atendimento e vacinação - tudo isto faz parte da nossa tentativa de sair do fundo do poço.

Mas, por mais que nos esforcemos, ainda é uma covardia comparar a capacidade de mobilização de prefeitos à capacidade do governo federal e estadual neste trabalho de reaquecimento da economia. E as empresas, antes de tentar levar os poucos trocados dos seus usuários, poderiam utilizar de sua influência econômica e política para pleitear uma agenda econômica mais orientada pelo bem-estar comum. Afinal de contas, está difícil para todo mundo - não é preciso mais esforço para piorar o que já está ruim.