Raízes, não âncoras

A inclusão da velhice na Classificação Internacional de Doenças (CID), pela Organização Mundial da Saúde (OMS) segue causando insatisfação no país. A medida, que pode entrar em vigor em janeiro do ano que vem, poderá relacionar velhice à doença, impedindo o registro correto das causas de mortes, além de aumentar a discriminação contra a população em idade mais avançada.

O Conselho Municipal do Idoso (CMI) de Mogi das Cruzes prometeu engrossar o coro contra essa classificação da OMS, por meio de uma moção a ser encaminhada ao Conselho Estadual de São Paulo para reforçar a pressão contra a medida. A decisão repercutiu no Alto Tietê. Representantes da região afirmam que a OMS vai na direção contrária à valorização do idoso com essa estratégia e que o público possa vir a sentir vergonha da idade, quando deveriam se orgulhar pela experiência adquirida ao longo dos anos.

De acordo com o CMI mogiano, se já era difícil batalhar por políticas públicas e a inclusão de verbas no orçamento municipal para contemplar os idosos, a fim de terem os serviços públicos necessários, agora a situação poderá ficar ainda mais complicada. Na Câmara dos Deputados, em Brasília, a medida também repercutiu e especialistas pediram que a OMS reveja essa modificação, segundo informou a Agência Câmara de Notícias.

O etarismo - ou preconceito contra idosos - não é recente, por isso, deve ser um dos assuntos tratados com a maior importância no campo da sociedade civil. Com toda vivência adquirida, esse público tem um papel fundamental e temos o dever de reconhecer. Já o governo, por sua vez, tem o dever de oferecer condições necessárias para uma boa e merecida qualidade de vida. Eis o cenário ideal. Os mais velhos não podem ser vistos como âncoras, mas, sim, como raízes, as quais podem nos ensinar a construir um futuro melhor.