Haja bolso

O aumento na tarifa dos ônibus municipais em alguma cidades do Alto Tietê já é uma realidade. Poá e Suzano promoveram a elevação da passagem para R$ 5, após discutirem um reajuste que estivesse dentro de uma margem aceitável com a empresa de transporte. As demais cidades que possuem transporte coletivo também devem seguir pelo mesmo caminho, assim como os ônibus intermunicipais e os trens.

Deixando a demagogia um pouco de lado, o problema não é aumentar os valor de produtos e serviços, é o salário do trabalhador não acompanhar essas alterações. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador que mede a inflação do público de baixa renda, entre os meses de janeiro e setembro, a inflação cresceu 5,9%, é mais do que o acumulado de anos inteiros. Ano passado, por exemplo, o INPC foi de 5,5%. Por sua vez, o salário mínimo que foi reajustado em janeiro para R$ 1.100, já perdeu R$ 65 do poder de compra, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

E, pelo o que tudo indica, a situação não deve melhorar tão cedo. Devem vir mais reajustes no preço da gasolina e demais combustíveis, entre eles o gás de cozinha. Para piorar, a prévia do Banco Central para o Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre apresenta uma queda de 0,14%, o que pode indicar uma recessão técnica, que ocorre quando há dois trimestres seguidos com retração do PIB.

No frigir dos ovos, a inflação continua comendo os ganhos do trabalhador, mas o PIB não cresce e se não há aumento na produção, já que o PIB é a soma de tudo o que produzido por um país, e pode ser que não haja aumento real dos salários.

Este é o cenário que se desenha com base no que foi apresentado até agora, e a carteira das famílias que precisam colocar comida todo dia na mesa, sentem o peso dessa perda quase que diária. Haja bolso para aguentar tudo isso, ainda mais com um governo federal inoperante, em que o seu principal integrante prefere fazer passeio de moto no oriente médio do que fazer algo de concreto. A eleição está cada vez mais próxima, é torcer para o bolso aguentar até lá.