Editorial

Números ocultos

19/12/2021 às 05:30
Atualizada em 19/12/2021 às 05:30.

Embora os números estejam mostrando um recuo cada vez mais consistente na pandemia da Covid-19, é preciso saber balancear todo o otimismo instalado goela abaixo do cidadão comum e compreender que todos os cenários, assim como o vírus, podem mudar e nos causar surpresas.

O ponto de partida de todo e qualquer gestor público para a contenção do surto de uma doença é mapear o número de pessoas contaminadas e que estão possivelmente expostas. Assim foi recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com a Covid-19, ou mesmo o recente surto de Influenza H3N2 que está atingindo a cidade de São Paulo e a Região Metropolitana. Separar uma doença da outra, assim como separar os doentes dos saudáveis, é condição das mais básicas para buscar o bem comum.

Um dos principais problemas estatísticos que enfrentamos hoje no trato da pandemia do coronavírus é a subnotificação: como todas as doenças que afligem os brasileiros, o medo de saber é maior que o medo das sequelas ou do risco de morte, o famoso "quem procura, acha". Buscar a conscientização da população sobre o risco desta e de outras doenças é uma luta das mais antigas de agentes comunitários de Saúde, de assistentes sociais, de gestores públicos e privados, e não deve ser abandonada agora mesmo com os gráficos em queda.

No entanto, é preciso que haja uma contraparte fundamental nas estratégias públicas para o monitoramento da pandemia: a desburocratização do acesso aos testes rápidos na rede municipal de Saúde. Entre consultas, encaminhamentos, idas e vindas, muitos homens e mulheres sentem-se rebatidos como bolinhas de borracha às paredes da burocracia, numa sociedade na qual o tempo é uma commodity cada vez mais valiosa. A opção dos testes particulares, com contas ainda na casa dos três dígitos, desencorajam aqueles que querem saber de sua condição, virando um luxo de uma classe média cada vez mais magra e pressionada.

Há enganos e enganos. Os números ocultos da pandemia da Covid-19 não podem ser dados de ombros, como um "é a vida" por parte de quem tem poder de decisão. Porque não é apenas "é a vida": já foram mais de 600 mil vidas.

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Fundado por Paschoal Thomeu – circulou em 22 de novembro de 1975. Em 1992, o administrador de empresas e publicitário Sidney Antonio de Moraes adquiriu a marca e relançou o jornal em 27 de outubro. O projeto foi ganhando força e, em 23 de abril de 1997, o jornal, até então preto-e-branco e veiculado apenas uma vez por semana, passou a circular colorido e bissemanalmente. Em 18 de maio do mesmo ano, a circulação foi ampliada para trissemanal e, finalmente, em 21 de junho de 1997 concretizou-se o lançamento do Mogi News diário. São inúmeras ações que, aliadas à qualidade editorial e gráfica, consagram o Mogi News como o jornal mais lido e respeitado do Alto Tietê

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