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Artigo

A cultura da violência

Afonso Pola
26/07/2022 às 05:30
Atualizada em 26/07/2022 às 07:26.
divulgação

Afonso Pola - FOTO: divulgação

Podemos classificar a violência como uma forma de afrontamento aos direitos considerados invioláveis na sociedade - direitos civis, sociais, entre outros - direitos esses que são fruto de um processo histórico que acompanha a humanidade desde a Antiguidade.

Na medida em que prestamos atenção ao que ocorre no Brasil e no mundo, é impossível não perceber a existência de uma escalada da violência, resultado de um processo construído cotidianamente, através de atos, omissões, impunidades e discursos.

Nosso país foi moldado na privação da liberdade, com oligarquias privilegiadas ao extremo, com naturalização de práticas de torturas e discursos eugenistas. Nesse sentido, a violência é uma construção cultural-histórica cada vez mais enraizada em uma sociedade desumanizada, desigual e doente. A forma progressiva com que a violência tem se manifestado permite a conclusão de que há a proliferação de uma cultura da violência social.

Quantas vezes não ficamos assombrados com a violência entre torcidas? Não ficamos um dia sem tomar conhecimento de mais um caso de feminicídio, ao mesmo tempo em que parte da sociedade se refere a esse tipo de crime como mimimi. Quantos casos de violência causada por homofobia? E os vídeos de abordagens policiais ilegais com uso de intensa violência? Temos também as brigas no trânsito.

Isso sem contar a absurda tentativa de relativizar as mortes por Covid. E agora, lastreada pelo discurso de ódio, a violência começa a se instalar na dinâmica da política. O assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda na comemoração de seu aniversário de 50 anos com uma festa temática do PT, praticado pelo policial penal Jorge Guaranho se junta a outros assassinatos cometidos por motivações políticas. O crime bárbaro que vitimou a vereadora do Psol Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, até hoje não foi totalmente esclarecido.

A inversão desse processo também demanda tempo. Precisamos estabelecer a "cultura da tolerância".

Afonso Pola é sociólogo e professor.

 

 

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