Governo leva a melhor

O governo federal levou a melhor na disputa das eleições da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Dois dos seus candidatos venceram as eleições que dominaram o cenário político na última segunda-feira em todo o país. O deputado Artur Lira (Progressistas-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) venceram com folga e vão dirigir respectivamente a Câmara dos Deputados e o Senado.

E o que isso representa para o Alto Tietê? Muita gente pode estar se perguntando ou respondendo: absolutamente nada! Mas é fato que o resultado mostra o quanto o governo federal se articula, quando quer, em prol de alguma coisa. Lira, é um dos líderes do Centrão, grupo que agora forma a base parlamentar do governo Bolsonaro. Teve 302 votos; seu principal adversário, Baleia Rossi, obteve 145 votos.

O Centrão volta a ganhar protagonismo desde que Eduardo Cunha (MDB-RJ) deixou a presidência da Câmara e foi para a prisão em 2016. Arthur Lira, agora, é o segundo na linha de sucessão de Bolsonaro, depois do vice Hamilton Mourão. É réu em duas ações penais, o que poderá impedí-lo de assumir interinamente a presidência da República.

No meio político a constatação muito óbvia: o Palácio do Planalto interferiu na disputa do Congresso e obteve importante vitória com a eleição de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. A escolha representa um trunfo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que venceu a queda de braço com o agora, ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Bolsonaro postou anteontem à noite mensagem nas redes sociais informando sobre a eleição de Lira, junto com uma foto na qual ele aparece cumprimentando o deputado. Os dois estão sorridentes. Com isso, cai por terra a formação de uma ampla frente de partidos para derrotar Bolsonaro. Agora a agenda das duas casas deve ser pauta armamentista e de costumes. Quando o governante, seja ele presidente da República, governador ou prefeito, diz que a eleição do Legislativo pouco influencia o Executivo, ou vice-versa, não acredite neste conto de fadas. Influencia sim, muito e diretamente. Caso contrário, o governo não colocaria toda a sua máquina para passar como um trator por cima de seus adversários.