Até as 22 horas

Em mais uma atualização do Plano São Paulo de retomada da economia, que tenta buscar a melhor maneira de impedir que o coronavírus interfira ainda mais no dia a dia dos paulistas, ao menos no que diz respeito ao consumo de bens e serviços, o governo do Estado autorizou, na sexta-feira, que restaurantes possam comercializar bebidas alcoólicas até as 22 horas. Antes, o limite para a venda desse tipo produto estava restrito até as 20 horas. A alteração começa a valer amanhã.

Cabe avaliar se este é o momento de liberar o consumo do álcool por mais duas horas. Conhecido como um agente que desliga a inibição e deixa a pessoa mais confiante, as bebidas fermentadas e destiladas, como o vinho e o uísque, que possuem alto teor de álcool, tendem a deixar o consumidor mais à vontade e aí pode se encontrar um grande problema.

Fazendo um paralelo com uma ideia bem difundida, de que álcool e direção não combinam, talvez o álcool e o coronavírus não sejam um dos melhores pares também.

É sabido que estudos envolvendo bebidas e veículo apontam para um resultado catastrófico. A junção alia velocidade com reflexos afetados. O fim disso tudo pode ser trágico.

No caso da Covid-19, o fator aqui envolvido está ligado à velocidade e inibição. Assim como nos veículos, o álcool, por certas vezes, retira a inibição do motorista e funciona como um regulador das nossas atitudes, que faz com que aquele que está atrás do volante se sinta mais competente do que, de fato, é.

Um sujeito com uns copos a mais na cabeça também pode ter a mesma ideia de soberania e não usar a máscara depois de finalizar a refeição, por se sentir um super-homem e achar que o pior não pode acontecer. O mesmo pode ocorrer com a falta de higienização das mãos ou compartilhamento de copos e talheres.

Este é um risco calculado, mas será que vale a pena trilhar esse caminho agora? Com médias altas de mortes e internação, o mais prudente seria esperar e, depois, brindar à vitória sobre a doença.