Covid em números

Se existe uma perspectiva analítica institucionalizada pela pandemia do coronavírus é a da interpretação de dados estatísticos para estudar o episódio e fundamentar ações que possam diminuir os efeitos negativos da pior crise sanitária da história mundial. Senão, vejamos: da mais simples contagem de casos de infecção e de mortos pela doença até sofisticadas fórmulas matemáticas para determinar a distribuição de vacinas proporcionalmente para as cidades, tudo foi transformado em números.

O governo do Estado, por exemplo, fundamentou o Plano São Paulo de retomada econômica em índices que levam em conta o percentual de ocupação de leitos hospitalares e a média móvel do número de casos e de mortes pela Covid-19. A partir dessa equação, criou uma escala de maior ou menor restrição às atividades que possam representar a aglomeração de pessoas, considerada o principal fator de disseminação da doença. Usou também o recurso de uma taxa de isolamento, medida a partir do deslocamento das pessoas em relação a seus aparelhos celulares, para embasar suas tentativas de manter as pessoas dentro de casa.

Atualmente, as projeções de vacinação, tanto da primeira quanto da segunda doses, são as vedetes do momento. O termômetro sobe à medida em que a cobertura da imunização também cresce proporcionalmente em relação ao total de habitantes. O Estado de São Paulo, que tem um melhores desempenhos do país nesse quesito, registra hoje 21,9% de cobertura na primeira dose e 11,2% na segunda dose. Na mesma linha, os municípios elaboraram verdadeiros complexos estatísticos, divulgados em seus sites oficiais, com os principais dados a respeito da pandemia. A justificativa é a de mostrar transparência em suas ações.

Desde o início da crise sanitária, houve a necessidade do uso das ciências exatas para determinar os movimentos nas ciências da saúde - o que é plenamente correto. Para tanto, as autoridades recorreram a gráficos e tabelas sofisticadas, com a apresentação de estatísticas muitas vezes confusas. Na prática, mesmo, o que importa ao grande público, é o total de mortos registrados em cada local. E esses números não param de subir.

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