O voto como arma

A avaliação feita pela Associação Gestora do Distrito Industrial do Taboão (Agestab) a respeito dos prejuízos diretos provocados pela instalação de um posto de pedágio na rodovia Mogi-Dutra é mais uma dura demonstração do quanto será prejudicial para os moradores da região a criação da praça de cobrança na estrada. A entidade calcula, com base em uma hipotética tarifa de R$ 5, que o déficit dos 4 mil trabalhadores estimados que atuam no distrito industrial chegaria a R$ 10 milhões somente no primeiro ano de funcionamento.

O efeito cascata apontado pelo presidente da Agestab, Osvaldo Baradel, de fato, já está ocorrendo. Segundo o dirigente, a partir da notícia da instalação do pedágio, ainda tramitando em processo licitatório aberto pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), o quadro mostra que algumas empresas, que pretendiam se instalar na região se beneficiando das vantagens de sua localização e do potencial financeiro iminente, desistiram da ideia. Outras, com sede no distrito e que planejavam ampliação das instalações, intensificaram estudos para avaliar a real viabilidade dos projetos a partir de um custo extra com o pedágio.

Enquanto isso, o Estado segue com sua estratégia pouco respeitosa com a população regional. O governador João Doria (PSDB), sob a alegação de agenda repleta, passou ao vice, Rodrigo Garcia (DEM), a tarefa de receber lideranças políticas do Alto Tietê em busca de informações sobre o pedágio. Garcia, como bom escudeiro, atende os representantes e, com um discurso pronto, promete levar adiante a reivindicação do cancelamento do posto de cobrança. Como não tem poder de decisão, a responsabilidade recai no governador Doria, cuja agenda está cheia, segundo a explicação do Palácio do Governo, e o assunto vai esfriando. É um círculo vicioso.

Na prática, ao que parece, as ações de protesto contra o pedágio na região não têm surtido o efeito esperado. O Estado quer ganhar tempo antes de dar uma solução definitiva ao problema, que demonstra já ter claro em seu objetivo: o pedágio vai sair. O que pode atrapalhar os planos do governo são as eleições majoritárias do próximo ano, talvez a arma mais forte nas mãos dos moradores da região.

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