Lucro garantido

A aprovação do projeto para a privatização dos Correios pelo plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, na quinta-feira passada, deixa um alerta para o futuro de uma das instituições mais antigas do governo brasileiro. Na votação, 286 parlamentares foram favoráveis à quebra do monopólio da estatal - responsável exclusiva pelo envio de cartas, telegramas e outras mensagens no país - e 173 se posicionaram contra. A decisão, ainda que dependa de aprovação no Senado, é uma vitória da equipe econômica do ministro Paulo Guedes, que entende a privatização como o melhor meio de garantir a continuidade dos serviços.

Segundo estimativa da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), a estatal possui atualmente cerca de 90 mil funcionários diretos espalhados no país e que teriam, de imediato, seus empregos em zona de risco com a entrada de empresas privadas no setor. A entidade apontou "falhas gravíssimas de concepção" no projeto, que poderiam prejudicar a prestação do serviço. Opositores ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) também concordam que a privatização não traria nenhum benefício a não ser para os futuros empresários detentores da exploração dos Correios.

Um reflexo direto já foi sentido em Mogi. Há alguns meses, a agência dos Correios no distrito de Jundiapeba foi fechada, inicialmente, sob a alegação de questões de segurança e, depois, antecipando a proposta de privatização. O fato é que o público precisa se deslocar por quase cinco quilômetros para encontrar outra agência disponível. Nesta semana, o vereador mogiano Edson Santos (PSD) apresentou uma moção na Câmara pedindo a reabertura da agência no distrito. "A região necessita de uma unidade porque tem uma população estimada em 80 mil pessoas e um mercado de trabalho e negócios em constante crescimento", defendeu o parlamentar.

Para se ter ideia do tamanho abocanhado pelos Correios no mercado de correspondências, basta lembrar que a estatal registrou um lucro líquido de RS 1,53 bilhão no balanço do ano passado, de acordo com informação do presidente da empresa, Floriano Peixoto Vieira Neto. Decididamente, é um filão promissor.

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