A segunda dose

São praticamente sete meses desde a aplicação da primeira vacina contra a Covid-19 na região, quando o enfermeiro Davi Chaves de Oliveira recebeu a sua dose, em 20 de janeiro, em Mogi das Cruzes. Hoje, após uma longa jornada de mais de 200 dias, as cidades do Alto Tietê se aproximam dos 85% de cobertura da população adulta com, ao menos, a primeira etapa do imunizante ao abrirem nesta semana o atendimento dos jovens com 18 anos. Na última quinta-feira, a região recebeu mais um lote de vacinas do Estado, desta vez com 33 mil unidades, destinado a este público.

Com essa remessa, a região ficará próxima dos 90%, índice considerado pelos especialistas como o mínimo ideal para para interromper a disseminação da doença. Porém, trata-se apenas da primeira dose. A segunda, aquela que realmente garante a imunização, está muito distante de alcançar o estágio desejado pelas autoridades; hoje, beira o patamar médio de 30%. A expectativa mais otimista é de que, no máximo, em três meses, período de carência da segunda dose estipulada pela fabricante AstraZeneca, a população adulta esteja vacinada por completo.

Mas a hipótese esbarra em alguns empecilhos pouco animadores. Um deles é a aversão de uma parte do público em tomar a segunda dose em virtude da reação provocada na primeira, como dores no corpo, náuseas e mal-estar geral. Dificuldades de locomoção, desconhecimento e displicência mesmo estão como outro fator negativo. O mais grave, porém, reside no grupo de pessoas negacionistas, que rejeita a vacina por descrença na ciência e que acaba influenciando outras com menor nível de compreensão. É lamentável que isso ocorra.

A tarefa mais difícil neste momento, para a continuidade da vacinação, é garantir que as pessoas tomem a segunda dose contra o coronavírus. Campanhas institucionais devem ser realizadas para esclarecer a necessidade de completar a imunização, além de manter - e se possível ampliar - as facilidades para a aplicação das vacinas, como os mutirões que atravessam a madrugada e a instalação de drive-thrus. Não há caminho seguro para o controle da doença que não seja a imunização completa.

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