editorial

Missão impossível

04/12/2021 às 05:30
Atualizada em 04/12/2021 às 05:30.

Toda virada de ano traz embutido o dilema dos reajustes nas tarifas do transporte coletivo. Com exceção da passagem de 2020 para 2021, que foi atípica para a grande maioria dos setores em virtude da pandemia do coronavírus, e que paralisou quase tudo, a chegada de 2022 não ficou imune ao fantasma dos aumentos. Na região, algumas cidades, como Poá e Suzano, já praticam novos preços nas passagens dos ônibus; em Mogi, nesta semana, o prefeito anunciou o valor da tarifa a ser cobrada a partir de 9 de janeiro do próximo ano.

A diferença agora é que houve uma espécie de nivelamento no preço em R$ 5, o que resultou em diferentes índices de elevação. As prefeituras justificam o reajuste como inerente da correção inflacionária, e que não significam aumentos reais. O curioso é que a inflação parece ser distinta em cada município, pois as novas tarifas partiram de valores desiguais e terminaram todas juntas. O problema, no entanto, está longe de ser esse da equiparação. Na verdade, o que importa é como, e quanto, os novos preços vão agredir o bolso da população.

No Brasil, os preços dos produtos e serviços dispararam neste ano, e o consumidor, como regra intocável, é quem paga a conta. O valor das tarifas do transporte coletivo é apenas mais um nesta extensa relação, afinal está diretamente relacionado à alta mundial do petróleo, que atinge todos os custos relacionados com seus derivados, como produtos industrializados e o transporte de bens e pessoas. Em alguns países, como o nosso, que não têm uma economia estabilizada, os reflexos dos reajustes são ainda maiores.

Todavia, não se pode culpar governos e empresas privadas pelos desmandos financeiros. No caso específico das tarifas, é preciso levar em consideração os custos que envolvem toda a logística necessária para o operacional das concessionárias, como salários e direitos trabalhistas dos funcionários e preço do combustível, dentre outros. Os órgãos públicos também devem rever suas políticas de incentivo às empresas na tentativa de encontrar o meio termo da questão, que agrade a todos os lados. A tarefa é praticamente impossível. No final, há a certeza de que a corda vai arrebentar no lado mais fraco: o do usuário.

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