Emprego deve se recuperar na região

Antonio Lima é coordenador de cursos na Brazcubas
Antonio Lima é coordenador de cursos na Brazcubas - FOTO: Divulgação

Alto Tietê - A pandemia de coronavírus (Covid-19) mudou paradigmas sobre como trabalhar e quais são as novas carreiras a serem exploradas no Alto Tietê e no país como um todo, segundo o professor Antonio Carlos Lima, coordenador dos cursos de Marketing, Logística, Gestão Financeira, Processos Gerenciais e Recursos Humanos do Centro Universitário Brazcubas.

Em entrevista ao Grupo MogiNews/DAT, Lima falou sobre os movimentos na "paisagem empregatícia" causados pela pandemia, que obrigou milhões de pessoas a mudarem não apenas de hábitos, mas também de perspectiva de emprego. "Tivemos setores que tiveram um holofote maior, como o setor de logística e entregas, por conta da rapidez e volume das compras online, que não eram mais contadas em dias, mas em horas para diversos itens, inclusive alimentos. A Tecnologia da Informação entrou nesta esteira de mudanças, as empresas começaram a se preocupar em fidelizar seu cliente sob responsabilidade do Marketing, entre vários pontos", apontou.

Uma das mudanças impostas pela pandemia e que poderá ter efeitos permanentes é a utilização do home-office, trabalho realizado a partir de casa, mas que no futuro poderá ter adaptações. "Somos seres humanos e precisamos de contato. O home-office veio para ficar, mas a necessidade do contato físico para a resolução de diversos assuntos ainda é fundamental. O trabalho do setor de Recursos Humanos vai ser pautado pelos treinamentos para fazer com estes profissionais, bem como seu treinamento e qualificação para este novo paradigma", explicou o professor da Brazcubas.

Com o trabalho remoto sendo baseado exclusivamente nas tecnologias ligadas à informação (como gerenciamento de redes, programação, suporte, entre outras áreas), a reportagem questionou sobre a remuneração da categoria. Para Lima, há um prospecto positivo: "Hoje, no Brasil, há um crescimento nítido no número de startups, sendo que já foi investido R$1 bilhão no primeiro quadrimestre. São soluções para a área de informática que surgem para facilitar o trabalho das empresas e dos usuários", disse.

Para o equilíbrio entre as demandas do setor industrial convencional e a busca por novos mercados e novas carreiras na chamada "Indústria 4.0", o coordenador de cursos defende o investimento na qualificação adequada dos profissionais. "Todo e qualquer profissional, em qualquer que seja a sua área de atuação, precisa se profissionalizar. Carecemos de cursos profissionalizantes, para trazer profissionais para atuar tanto na indústria convencional quanto na do futuro. A falta de treinamento leva aos erros, à perda da eficiência e abertura de vagas", advertiu Lima.

Para o futuro do Alto Tietê, o professor universitário acredita que o potencial logístico necessita ser melhor explorado pelo município e pela região. "Um exemplo é a disponibilização de uma alça do Rodoanel (Mario Covas SP-21), que proporciona um crescimento de até 300% no setor logístico. Temos uma oportunidade para explorar no Alto Tietê ligações com o litoral e o acesso ao porto de Santos. Contar com uma infraestrutura que ajude neste setor pode ser o diferencial da região no futuro. Todos os investimentos feitos nesta área com certeza terão retorno", sugeriu.

A pandemia do novo coronavírus representou um duro golpe na atividade econômica. Segundo levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), entre 600 e mil empresas fecharam devido à pandemia, entre micro e pequenos empreendedores. Mas, na visão de Lima, a eventual recuperação da economia pode dar fôlego à retomada deste setor. "Todos tiveram que se adaptar para sobreviver, mas quando o mercado voltar a ter pujança, teremos mais espaço para o empreendedorismo, o que é bom para o país", concluiu.